Entenda a crise do IOF: governo Lula x Congresso e o reflexo no bolso da população
wp header logo 154.png
Mesmo quem não entende de economia já deve ter ouvido falar no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nos últimos meses. O aumento desse imposto federal gerou uma crise entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Congresso Nacional.
De um lado, o Executivo enviou ao Congresso um decreto que aumentava a alíquota do IOF, defendendo a medida como um passo rumo à justiça tributária, ou seja, uma forma de cobrar mais dos mais ricos para beneficiar a população de baixa renda.
Do outro lado, o Legislativo reagiu e derrubou o decreto, alegando que não aceitará mais aumentos de impostos sem que o governo também reveja seus próprios gastos.
Para explicar o impasse e os efeitos do IOF na vida da população, o PS Notícias ouviu o economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), Edval Landulfo.
Dois pontos para entender o impasse
Segundo ele, dois pontos são fundamentais para entender o embate entre os poderes. O primeiro é que, ao se falar em aumento de impostos, toda a população é impactada, não apenas os mais ricos, mas que ajustes fiscais são necessários para reduzir as desigualdades sociais.
O segundo ponto, de acordo com o especialista, é que há uma diferença clara na forma como um governo de esquerda e parte do Congresso majoritariamente de direita enxergam o papel do Estado, especialmente no que diz respeito ao ajuste fiscal.
“A diferença de um governo de esquerda é que ele pensa o Estado para política social, daí responde um pouco sobre essa justiça social que o governo federal está defendendo. Já um governo de direita pensa nesse dinheiro arrecada pelo Estado para os empresários”, explicou o economista.
Landulfo destacou ainda que o objetivo do governo com o decreto era tornar o IOF um imposto não apenas arrecadatório, mas também regulatório. Ou seja, utilizar parte da arrecadação para evitar cortes em áreas como assistência social, saúde, educação, segurança alimentar e habitação.
Falta transparência nas discussões
Para Edval, tributar os mais ricos em nome da justiça tributária é importante, mas falta ao governo clareza sobre como o aumento do IOF será aplicado, especialmente para não prejudicar pessoas com menor poder aquisitivo.
“Essa é uma briga que ainda vai durar. O governo precisa apresentar uma proposta que não pese tanto para as pessoas comuns. Ao tributar os super-ricos, estamos equilibrando o jogo, mas é preciso cuidado para não onerar ainda mais as pessoas que se esforçam para pagar imposto, como a classe média e os assalariados”, afirmou.
“Essa cobrança do IOF vale tanto para pessoa física quanto jurídica. É um tributo federal que é descontado quando, por exemplo, a gente pega um empréstimo, no envio de remessas internacionais, no seguro, investimentos de curto prazo e compras internacionais”, alertou.
Ajustes são necessários
É fundamental, segundo o economista Edval Landulfo, que o governo mostre que parte da arrecadação terá finalidade social e proponha medidas complementares, a médio e longo prazo, para a taxação de grandes fortunas.”
“São propostas que podem não agradar parte do Congresso ou do mercado, mas são necessárias para buscar o equilíbrio social e reduzir desigualdades. Algumas pessoas que usam crédito para o consumo básico podem ser afetadas, mas isso poderia ser compensado por isenções com base na renda”, avaliou.
“A justiça social só será alcançada por meio de políticas públicas que reduzam as desigualdades. O governo precisa de recursos, e isso passa por um ajuste fiscal bem planejado.”
Em que pé está o impasse?
Na última sexta-feira (4), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu os efeitos de todos os decretos relacionados ao IOF e determinou uma audiência de conciliação entre o governo e o Congresso.
A reunião foi marcada para o dia 15 de julho, no plenário de audiências da Corte, em Brasília. Moraes é o relator das ações que tramitam no Supremo envolvendo o tributo.
A revogação do decreto representa um desafio para o governo, que pode perder cerca de R$ 12 bilhões em arrecadação em 2025, segundo a Receita Federal.
Por outro lado, a medida traz alívio para o bolso do cidadão, com redução nas alíquotas de operações como câmbio, empréstimos para empresas e previdência privada do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).
O aumento do IOF, de 3,38% para 3,5%, havia sido anunciado pelo Ministério da Fazenda em 22 de maio, como parte dos ajustes nas contas públicas.
>>> Siga o canal do PSNotícias no WhatsApp e, então, receba as principais notícias da Bahia, do Brasil e do Mundo.